Julho - 2026 - Edição 313

A perda de Edgard Morin

O ano de 2026 assinalou uma perda notável para a cultura universal. Aos 104 anos de uma vida bem vivida, morreu em Paris o intelectual Edgard Morin, sociólogo que nos visitou diversas vezes, em geral a convite do Sesc/Rio de Janeiro, para falar sobre a sua experiência na Escola de Ensino Médio, que tive a honra de orientar a construção

De descendência judaica, adotou esse sobrenome para fugir da perseguição nazista dos tempos nebulosos da II Guerra Mundial. Ele construiu uma filosofia original ao reunir elementos de psicologia, etnografia e biologia para compreender a condição humana. O seu sobrenome original era Nahoum, de origem sefaradita. Pertenceu à Resistência francesa e foi um dos criadores do chamado cinema verité, que partia da pergunta: “Você é feliz?” Marcou profundamente o cinema documental.

Doutor Honoris Causa por 38 universidades estrangeiras, escreveu mais de 40 livros traduzidos para diversos idiomas. Em Português estão Introdução ao Pensamento Complexo e O Método, onde afirma que quanto mais conhecemos o ser humano, menos o compreendemos. O jornal francês Libération o definiu em perfil publicado em 2021 que até os seus últimos dias ele permaneceu atento ao mundo. Tinha orgulho de se considerar um “pensador humanólogo”.

Edgard Morin pertenceu ao Partido Comunista. Em 1959, publicou Autocrítica, obra que relatou sua expulsão da entidade a que pertencera e da qual chegou ao cargo de dirigente. Foi muito criticado pelas observações feitas ao comportamento de Israel com relação aos palestinos. Os desafios humanos alimentaram seu pensamento. Foi sempre muito fiel às suas ideias. Foi um homem de grande destaque na cena internacional e por isso a sua falta será sentida.