Temas sensíveis e uma boa novidade!

Acompanhei o evento “livro é companhia no rio”, dando início às comemorações dos 40 anos da Companhia das Letras. O encontro foi no Museu do Amanhã e recebeu o músico e escritor Emicida, a navegadora e escritora Tamara Klink e o ator e escritor Gregorio Duvivier.
Assisti a apresentação dedicada à literatura infantil, onde Emicida desenvolveu o tema: Ler para o futuro: Literatura infantil e pertencimento, apresentando obras destinadas à garotada, lançadas pela Companhia das Letrinhas. Escritas por Esther Duflo – premiada em 2019 com o Nobel de Economia – ilustradas de forma divertida por Cheyenne Olivier, com tradução de Mariana Delfini, os textos receberam intervenções especiais de Emicida, como um convite à reflexão sobre graves problemas sociais, como a pobreza, os preconceitos, o etarismo, a falta de oportunidade de trabalho e a importância do empreendedorismo.



Conta Comigo – Na comunidade onde o menino Bibir mora, há uma senhora solitária e misteriosa chamada Konwu. Eles se conhecem no dia em que o casebre dela desaba. Bibir a ajuda e, em troca, ela conta histórias que transformam o seu jeito de ver a vida.

Volta por Cima – Imeuni é uma jovem cheia de vontade de estudar e trabalhar, mas ela não tem dinheiro e não sabe por onde começar. Será que ela vai conseguir ajuda?

Estrangeiros – (Boitatá) Leo Cunha tem um jeito muito especial para contar histórias. Possui uma incrível facilidade para transformar um tema às vezes árduo em uma fábula acessível para as crianças. Assim acontece com Estrangeiros. Nada é omitido, a própria tragédia dos imigrantes está ali revelada. Mas a mudança do ponto de vista é genial. As ilustrações de Alexandre Rampazo criam o clima necessário e impactante para a percepção da história. Uma bela edição em capa dura.

Maria e os Refugiados – (Cambucá) Um realismo mágico que transforma fugitivos de outras terras em peixes, salvos por uma gaivota e entregues a uma menina solitária, que só convive com adultos na família e que se refugia no quintal, com árvores, sombra e grama. Na verdade, ela também é uma refugiada, onde apenas recebe ordens e o afeto não é aparente. Maria Noel Brena estreia na literatura infantil com firmeza e pela porta da frente! As metáforas proporcionam inúmeras divagações sobre esses peixes que agora se apresentam como pessoas e pedem ajuda à menina. As ilustrações são de Jonatham Martins.

A Malinha Vermelha – (Abacatte) Mais uma contadora de histórias que conhece a sutiliza das narrativas para crianças. Graziela Bozano Hetzel recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor Livro Infantil com o livro A Cristaleira (Manati), ilustrado por Roger Mello. A conheci quando lançou Tem um Leão na Minha Casa (Record). Desde então, as belas obras se sucederam. O pequeno menino da malinha vermelha carrega ali o seu apoio para as dificuldades ao sofrer com o preconceito que enfrenta na escola. Criado por dois pais, repletos de amor por ele, a família diferente é criticada e é a própria escola que atua para que o amor seja respeitado. As ilustrações são de Camila Carrosine. Cada um de nós tem a sua malinha, de várias cores e com várias histórias.

A Concha Me Contou – (Caxinguelê) Uma nova editora que surge voltada para o público infantil e que já demonstra o cuidado e a qualidade dos novos títulos. O autor espanhol Adrián Yeste, radicado na Argentina, sempre gostou de contos fantásticos e histórias divertidas. Este livro apresenta histórias encadeadas, com os personagens se conectando sequencialmente, em divertidas situações. As ilustrações de Gina Garcia acompanham a diversão. A tradução é de Guilherme Semionato. Uma cuidadosa edição em capa dura. Bem-vinda, Caxinguelê!