Julho, 2026 - Edição 313

MAM Rio inaugura exposição de longa duração

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugurou a exposição de longa duração “Entre o moderno e o contemporâneo: arte nas coleções do MAM Rio”.
Reunindo obras de cerca de 170 artistas que ajudam a contar a história da arte moderna e contemporânea no Brasil, a mostra garante acesso permanente a um patrimônio fundamental para o país. O percurso articula a trajetória da produção artística nacional nos séculos XX e XXI à história do próprio museu, destacando o papel desempenhado pela instituição na formação e difusão da arte brasileira. A exposição toma como ponto de partida o projeto moderno que, nas primeiras décadas do século XX, buscou produzir uma cultura capaz de expressar a singularidade nacional. Foi esse mesmo impulso que contribuiu para a criação do MAM Rio, fundado em 1948. A partir dessa conexão histórica, a mostra acompanha diferentes movimentos, linguagens e experimentações que marcaram a arte brasileira, ao mesmo tempo em que revela a presença do museu carioca em momentos decisivos dessa trajetória.

Organizada de forma cronológica, a montagem estrutura-se em oito núcleos: Modernismos, Abstrações além da forma, O impulso geométrico, O retorno da figuração, Arte experimental, A nova pintura nos anos 1980, Elementos apropriados e A partir de 1990. A divisão dialoga com categorias consolidadas pela historiografia da arte no Brasil, permitindo ao visitante acompanhar transformações estéticas, conceituais e políticas que atravessaram a produção artística ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI.



Entre as obras apresentadas estão marcos importantes, como A japonesa (1924), de Anita Malfatti, ou Urutu (1928), de Tarsila do Amaral; trabalhos de Alfredo Volpi e Guignard associados aos desdobramentos do modernismo; pinturas de Iberê Camargo, Manabu Mabe e Tomie Ohtake ligadas às pesquisas abstratas informais do pós-guerra; obras de Ivan Serpa, Judith Lauand e Franz Weissmann que ajudam a compreender o desenvolvimento da arte geométrica no país; além de trabalhos de Hélio Oiticica, Cildo Meireles, Antonio Manuel e Artur Barrio, artistas centrais para a expansão dos limites da arte brasileira a partir das décadas de 1960 e 1970.

Embora estruturada cronologicamente, “Entre o moderno e o contemporâneo” não propõe uma narrativa linear ou definitiva. A presença de obras que perpassam diferentes momentos históricos e uma expografia concebida para estimular múltiplos percursos convidam o público a estabelecer relações transversais entre períodos, linguagens e contextos distintos. O projeto expográfico retoma referências do design moderno, ao mesmo tempo em que cria condições para leituras abertas e não hierárquicas do conjunto apresentado.

A narrativa expositiva é enriquecida por verbetes distribuídos em QR codes ao longo da mostra, que oferecem acesso a textos, fotografias e documentos preservados nos acervos documentais do museu, e contextualizam episódios decisivos da história do MAM Rio e da arte brasileira.



Serviço:
End: Av. Infante Dom Henrique, 85
Aterro do Flamengo - Rio de Janeiro | RJ
Horários de visitação:
Quartas, quintas, sextas, sábados domingos e feriados,
das 10h às 18h

Por Manoela Ferrari.