Setembro, 2026 - Edição 314

Boulevard Olímpico

Garça, voo rasante em cardumes...

No Boulevard Olímpico,
entre pescadores
içando bagre, corvina, tainha,
havia um com uma linha
invisível dentro d’água,
prendendo o presente ao passado,
pescador capturado,
olhos banidos para o horizonte,
praticava pesque e solte.

Nas águas floridas,
sempre vestida
de penas coloridas
para cavar as feridas –
Garateia, sinfonia de anzóis.

Anzol se agarra à pele,
arpão, ao coração.
Pode a palavra, como peixe,
sobreviver até um dia
fora do poema?

Entre pescadores,
o homem, com linha invisível,
linha dobrada, de pesca pesada,
duelo de sombras no abismo,
camuflagem versus camuflagem,
passou o dia pescando,
fisgando o mesmo peixe,
o peixe-pedra.

Este homem sou eu.

Por Lasana Lukata.