Março, 2026 - Edição 311
Autor inédito: 3 livros e 122.556 palavras sem gerúndio
Escrevo sem a figura do gerúndio. Meus dois primeiros livros e
o atual, Egoísmo Saudável: Atitude para você se reconduzir diante dos
impactos da tecnologia, 3ª edição, escritos sem gerúndio num total de
122.556 palavras. Mas que história é esta? Em algum lugar do passado na faculdade de jornalismo, o professor de Técnicas de Redação,
Nilson Lage, ensinava as normas para se chegar a um leve texto de
reportagem. Orientava sobre a importância de parágrafos curtos, de se
cortar prolongamentos na narrativa dos fatos, e aí sugeriu: – É aconselhável evitar o gerúndio. Fiz da sugestão uma obrigação. Passei a exercitar os cortes até não mais usar o gerúndio, ou seja, a forma invariável
da flexão verbal, resultante da mudança do r final do infinitivo em ndo:
cantando, sofrendo, sentindo, e que corresponde a um adjunto adverbial; às vezes aparece regido da preposição em (Dicionário Brasileiro
da Língua Portuguesa).
Da faculdade em diante, este hábito virou curioso vício. É
impossível mensurar o volume de textos que redigi como jornalista,
professor universitário, atualmente, como consultor empresarial.
Todas as linhas, inclusive particulares, sem gerúndio.
Dentro do banheiro na minha casa, de brincadeira, tem uma
placa: “Sorria!!! Aqui também você é filmado”, e não, “Sorria!!! Você está
sendo filmado”, conforme a frase-padrão sobre a presença de câmeras
que consideram todos suspeitos...
Este vício teria a simpatia do escritor Graciliano Ramos, que
jogava tinta no gerúndio sem pena: “Ele torna o texto impreciso e pastoso.” Vira hoje referência para os adversários do hábito de se exceder
nesta forma verbal, para aqueles que colocaram em circulação na
internet o Manifesto Contra o Gerundismo.
Ouvir das atendentes de 0800 frases como “uma vez comprando
o senhor vai estar recebendo o produto...”, causa arrepios em quem
briga contra o vale-tudo na língua portuguesa. Não há dúvida, quanto
menos gerúndio se usa maior clareza e objetividade se consegue no
conteúdo.
Sorrateiro que só ele... gerúndio traz a tendência para a ampliação da narrativa e, por consequência, pode embaraçar as ideias. Se a
pessoa procura evitá-lo, melhor será a precisão texto e fato. Destacados
escritores e jornalistas são fortes aliados no combate ao gerúndio para
que possam levar aos leitores acontecimentos e opiniões de forma
nítida, sem espichar em demasia os parágrafos.
Importante: na guerra antigerundismo é necessário dar significativo desconto para o meio religioso. Transmitir esperança e falar
da ação pelo próximo, exigem a presença do gerúndio: “Indo por este
caminho, você chegará lá!”; “Estaremos fazendo vigília pelos menos
afortunados”; “Rezando encontraremos Deus”. São inevitáveis sermões pincelados do início ao fim com verbos no gerúndio para se descrever a salvação em andamento. Igualmente, advogados com longos
parágrafos para ataque ou defesa. Ah! Além da ausência do gerúndio,
os livros tem destaque no mercado: Egoísmo Saudável agora terá versão em inglês. Estão na Amazon e site www. consultoriadeimpacto.
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