Maio - 2026 - Edição 312
50 Tons da Vida: Crônicas da nossa vida
50 Tons da Vida: Crônicas da nossa vida (Ateliê Editorial, 2018), é o primeiro livro de crônicas do professor, palestrante e escritor paulista no Roberto Livianu. Depois de 27 anos como promotor de justiça, Livianu reuniu 50 crôni cas ao completar 50 anos. Os textos falam das miudezas do cotidiano, como O Bingo Natalino do Pirarucu , Rodoviária ou As Cores da Feira e sobre a experiência profissional do autor, como Ética da Bandidagem , Assalto de Bike e O Fogo do Amor e sobre corrupção, como Vinte e Seis Milhões , Cadê o Resto do Meu Oxigênio ou O País Depois de seis anos afas tado do gênero, Marcelo Moutinho retorna aos con
da Carteirada . E sobre amor, como Triângulo , Carrossel e Flores Amores e até sobre o próprio velório do autor, ali estando espiritualmente depois da morte e presenciando as reações das pessoas a seu falecimento pre maturo. A obra prende o leitor desde a primeira linha, com sensibilidade e humanismo. Além disso, sua palavra é extremamente descritiva, fazen do com que aquele que a lê sinta as sensações e veja as cores mostradas vivamente nas crônicas. No prefácio, Mario Sergio Cortella cita o epíteto do ensaísta Agripino Grieco dado aos que considerava serem cronista admiráveis: “grandes nadadores de piscina.” Fraturas Gestadas na Terra
Fraturas Gestadas na Terra (Ed. Cousa, 2026), terceiro romance do escritor capixaba Danyel Sueth, é o resultado de uma residência literária feita pelo autor no distrito de Pedra Menina, em Dores do Rio Preto, no âmago das montanhas do Caparaó, durante todo o ano de 2025. Com prosa poética e alternância de vozes, a narrativa alterna texturas oníricas e realistas, conduzindo o leitor entre ganhos e perdas em uma pequena comunidade rural. “A trama se desenrola em uma época indefinida, opção astuta do autor, e nos entrega personagens profundos e críveis”, afirma Caê Guimarães, que assina a orelha. Natural de Bom Jesus do Itabapoana (RJ) e radica do em Alegre (ES) desde 1999, Danyel Sueth atua em diferentes frentes artísticas. No teatro, integra a criação com o Grupo Teatral Caparaó. Na música, atua como vocalista e guitarrista da banda de rock Estado de Sítio, com dois álbuns lançados. Na literatura, publicou os romances Os Dalmarco (2017, Ed. Cousa) e Depois que o Sol se Põe (2019, Ed. Patuá), ambos premiados pelo Edital de Produção e Difusão Literária da Secult- ES. No cinema, estreou como autor e protagonista do média-metragem Não Volte Mais (2024), dirigido em parceria com Diego Scarparo
Linhares Filho, Um Tema Literário
Linhares Filho, Um Tema Literário: 55 anos de fortuna crítica , livro organizado pelo escritor, jornalista e professor Ítalo Gurgel, é uma ode ao Príncipe dos Poetas Cearenses, visto sob a ótica de renomados escritores, por meio de poemas, estudos, discursos, artigos, car tas e opiniões críticas. Ao longo de mais de 500 páginas, textos como “Sonatas de luz/ E cores amargas/ Linhares linhagem/ Das altas palavras” (Horácio Dídimo); “Por isso, o Anjo da Poesia jamais o abandonará, dando-lhe permanentemente a inspiração necessária à sua grande obra poética, em benefício da Literatura Cearense” (Artur Eduardo Benevides); “Em suma, ele é poeta, senhor do verbo e do verso, pastor de metáforas e recriador do mundo…” (Sânzio de Azevedo); “Os poemas todos são de grande qualidade, tanto em forma quanto em con teúdo, mas o que neles logo e sobretudo chama a atenção é o requinte artesanal de sua estrutura vérsica, que lhes confere atraente perfeição formal” (Noemi Elisa Aderaldo). Na introdução, Ítalo Gurgel sublinha a importância dessa coletânea, não apenas para configurar a dimensão da obra literária de Linhares Filho, como também para subsidiar os estudos de Literatura Cearense – e brasileira – que agregam, a partir de agora, uma nova e valiosa fonte de pesquisa
tos com Gentinha (Record), um conjunto de 16 narrativas que apostam no olhar atento sobre o cotidiano urbano brasileiro. Dividido em duas partes — Dentro É um Mundo e A Verdade Não Rima —, Gentinha percorre cenários que vão dos bairros das periferias ao microcosmo das casas da classe média, transitando com naturalidade por diferentes estratos sociais do Brasil contemporâneo. São histórias de pessoas simples, “gente do povo”, retratadas em sua complexidade, força cotidiana e originalida de. Embora reconhecido pela relação íntima com a crônica, o escritor reafirma nesse livro sua vocação ficcional. Das 16 narrativas, apenas a que abre o volume, Queda para o alto , é exceção, ao se inspirar em fatos reais relacionados à morte trágica da mãe. Os demais textos são exer cícios deliberados de imaginação. Marcelo Moutinho nasceu no Rio de Janeiro, em 1972. Conquistou o Prêmio Jabuti 2022 na categoria Crônica com A Lua na Caixa D’água (Malê) e o Prêmio Clarice Lispector 2017, da Fundação Biblioteca Nacional, com os contos de Ferrugem (Record). Entre suas obras, estão O Último Dia da Infância (Malê, 2025), A Palavra Ausente (Malê, 2022), Rua de Dentro (Record, 2019) e Na Dobra do Dia (Rocco, 2015)
As Almas de São Cristóvão
Livro inaugural da Série Bicentenário de D. Pedro II, As Almas de São Cristóvão (Ed. Linotipo Digital, 2025), do historiador Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança, reúne artigos de cunho histórico-biográfico a respeito de personagens ilustres e parentes da Família Imperial relacionados ao precio so Palácio de São Cristóvão, outrora sede da monarquia brasileira. Ricamente ilustrado com mais de 70 imagens, além de um extenso e detalhado índice onomástico e remissivo e um texto anexo de autoria do arqueólogo e museólogo Claudio Prado de Melo, o leitor encontrará vários artigos, entre eles Dom Pedro II: O patrono dos astrônomos brasi leiros ; A Imperatriz Dona Amélia, Princesa Italiana ; A Imperatriz Dona Leopoldina: Sua presença nos jornais de Viena e a sua renúncia à coroa imperial da Áustria ; As Visitas de Dom Pedro II e Dona Teresa Cristina em Viena (1871 e 1877), entre outros. Dom Carlos nos brinda, ainda, com um conto sobre a fatídica noite do incêndio, “Uma noite trágica – 2 de setembro de 2018”. Descendente da família imperial brasileira e Chefe do Ramo de Saxe-Coburgo e Bragança, um ramo da Casa Imperial do Brasil, o autor é bisneto da princesa Leopoldina do Brasil, filha mais nova do imperador D. Pedro II
Travessias
Em Travessias (Ipê das Letra, 2024), o escritor e jornalista Fábio Steinberg dá voz aos cami nhos tortuosos e emocionais de imigrantes que deixaram tudo para trás em busca de um novo recomeço no Brasil. A obra, que se passa entre as Grandes Guerras do século XX, é um retrato delicado das dificuldades, sonhos e reinvenções de estrangeiros que enfrentaram o desconheci do. O contraste cultural é vivido intensamente por Natan, um dos três narradores da história, que desembarca na Baía de Guanabara em pleno Carnaval. A partir de sua perspectiva, o leitor é levado ao impacto da chegada a um país desconhecido. Além de Natan, a narrativa é conduzi da por Hana, uma mulher culta de Varsóvia que, ao casar-se sem amor, muda-se para São Paulo com o marido e duas filhas. Uma delas, Rivka, é a terceira narradora, por meio de seu diário. Fabio Steinberg é autor dos livros Ficções Reais , Viagem de Negócios , O Maestro e Travessias . Formado em Administração e Jornalismo, teve uma extensa carreira como executi vo de comunicação em grandes empresas, foi colunista e colaborador de jornais, além de consultor empresarial. Filho de imigrantes, nasceu no Rio de Janeiro e atualmente vive em Itu, em São Paulo