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Perdas

Após a excelente acolhida crítica de seu livro anterior – Ar de arestas, finalista do Prêmio Jabuti e semifinalista do Prêmio Portugal Telecom –, Iacyr Anderson Freitas ressurge com uma obra completamente distinta. Neste contundente Estação das clínicas, a teia lírica envolve e mobiliza o leitor, levando-o a dialogar com personagens tomados pelo sentimento de perda, em seus diversos níveis de referência. Em primeiro plano, como o próprio título indica, a perda da saúde. Algumas vezes medicada, pelo poeta do também premiado Viavária, com doses homeopáticas de ironia e humor. “Iacyr Anderson Freitas é hoje, sem dúvida alguma, o maior nome de sua geração – e um dos maiores poetas vivos da língua portuguesa. E este belíssimo Estação das clínicas (Escrituras Editora) vem corroborar a opinião daqueles que como eu acreditam na poesia alicerçada no cotidiano do ser humano comum convertida em metáfora da Humanidade pela empatia (o outro como nós mesmos). Ponto alto de uma obra iniciada na já distante década de 1980 e consolidada ao longo de vasta bibliografia, Estação das clínicas é madura meditação a respeito da transitoriedade da vida e dolorosa busca de superação metafísica.”, analisa Luiz Ruffato. Iacyr Anderson Freitas nasceu em Patrocínio do Muriaé, Minas Gerais, em 1963. Formado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Juiz de Fora, o poeta obteve também, pela mesma instituição, o título de mestre em Teoria da Literatura. Publicou diversos livros de poesia, ensaio literário e prosa de ficção, tendo recebido várias pre-miações no Brasil e no exterior. Sua obra se encontra bastante divulgada em outras línguas e países (Argentina, Chile, Colômbia, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Malta, Nicarágua, Suíça, Peru, Portugal e Venezuela).


Verdades

Uma mudança na lei de arquivos na China permitiu que o historiador holandês Frank Dikötter tivesse acesso a mais de mil documentos do Partido Comunista, do Ministério das Relações Exteriores em Pequim e de grandes coleções de províncias, cidades e condados da China. Ele leu relatórios secretos, minutas de reuniões, confissões de assassinatos, cartas com queixas de gente comum e descobriu, entre outros dados, que pelo menos 45 milhões de pessoas morreram entre 1958 e 1962, vítimas do Grande Salto Adiante de Mao. A grande fome de Mao conta essa história em detalhes, trazendo novas provas e relatos de uma das maiores catástrofes humanitárias do século passado. Segundo ele, as novas provas encontradas nesses arquivos mostram que coerção, terror e violência sistemática foram a base do Grande Salto Adiante. Nos relatórios a que teve acesso, ele constatou que, entre 1958 e 1962, em estimativa aproximada, de 6% a 8% das vítimas foram torturadas até a morte ou sumariamente mortas — ascendendo, no mínimo, a 2,5 milhões de pessoas. “Outras vítimas foram deliberadamente privadas de comida e morreram de inanição. Muitas outras desapareceram porque eram velhas, fracas ou doentes demais para trabalhar — e, portanto, incapazes de ganhar seu sustento. Pessoas eram mortas seletivamente porque eram ricas, porque faziam cera, porque falavam, porque simplesmente não eram estimadas ou por qualquer outra razão, pelo homem que empunhava a concha no refeitório. Incontáveis pessoas foram mortas indiretamente por negligência, uma vez que os oficiais estavam sob pressão para focar mais os números que as pessoas, para garantir que preenchessem as metas que lhes eram entregues pelos responsáveis pelo planejamento”, revela o autor no prefácio.


Inquisição

A LerLisa Livros acaba de levar às livrarias O tempo entre sombras, de Neida Lúcia Moraes, um romance histórico não por dedicar-se exclusivamente à História, e sim por estar alicerçado no processo histórico da Inquisição no Estado do Espírito Santo e na Inquisição de Portugal, no século XVIII. A autora entremeou esses dois episódios para rascunhar e configurar o protagonista Nuno Alvares de Miranda, um humilde homem do campo como todos os outros, mas ao mesmo tempo firme e sem meias palavras no que diz respeito às suas ideias sociopolíticas e filosóficas, pouco comuns, porém admiráveis para sua época e tempo. Pesquisadora e professora aposentada de História da Universidade Federal do Espírito Santo, a autora, durante uma temporada de estudos em Portugal, se debruçou sobre incontáveis documentos da Santa Inquisição guardados nos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa. Eram manuscritos e julgamentos relacionados à perseguição aos chamados cristãos-novos, muitos deles expatriados para o Brasil, a então colônia de além-mar. O processo de Nuno, um réu brasileiro, despertou imediato interesse para que ela esboçasse e escrevesse o romance. Nasceu em Vitória, Espírito Santo. Diplomou-se em História pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), ingressando mais tarde no corpo docente da mesma instituição. Ocupou cargos de destaque na administração pública. É membro do Instituto Histórico e Geográfico e da Academia Espírito-Santense de Letras. Também é membro da Sociedade de Estudos do Século XVIII de Portugal e da Academia de Letras de Cascais, Portugal. Historiadora e romancista, suas obras vêm alcançando sucessivas edições, além de premiações pelo Instituto Nacional do Livro e pela Academia Brasileira de Letras e também traduções em países europeus.


Arte reinventada

Nos últimos 15 anos, o carioca Antonio Bokel testou quase todas as possibilidades da arte. Interage com o espaço urbano através do lambe-lambe de propaganda, das pichações e do grafite. O discurso das ruas, em palavras e imagens, ganha vários outros significados com o uso de técnicas mistas. Colagem e fotografia. Os suportes utilizados por ele passam pela instalação, quadros, moda, esculturas. Artista incansável, seu acervo tão diverso contabiliza mais de três mil imagens. 100 delas, a parte mais representativa de sua trajetória em ordem cronológica, foi selecionada para o livro Antonio Bokel: Ver (Réptil Editora). A obra, com textos dos curadores Vanda Klabin, Daniela Name, Oswaldo Carvalho, Mario Gioia e do artista plástico Pedro Sánchez, será lançada dia 8 de abril no Pavilhão da Bienal, durante a feira internacional de arte moderna e contemporânea SP-Arte 2017. Uma parceria da Réptil Editora com a Mercedes Viegas Galeria, o título percorre em 160 páginas os principais trabalhos do artista carioca. “Um diplomata talentoso, um articulador, um criador de mundo.” A análise é de Pedro Sánchez, um dos cinco convidados a observar a produção de Bokel. Sánchez analisa a movimentação de Antonio Bokel de um lugar privilegiado. Os dois dividem com Marcelo Macedo o ateliê e o espaço Galeria Quintal, no Rio Comprido, Zona Norte da capital carioca. Esse contato diário permite que ainda se impressione com “a capacidade que Bookel tem de veicular, de fazer circular a sua produção quase compulsiva, com a independência e a autonomia que sustenta em relação ao circuito e aos cânones da arte contemporânea”. O desenvolvimento da carreira de Antonio Bokel é acompanhado desde o início, quando ainda frequentava o curso de design gráfico da Univercidade.


Pai da Psicanálise

Fundamentos da psicanálise de Freud a Lacan – vol. 3 – A prática analítica (Zahar Editora) de Marco Antonio Coutinho Jorge é o terceiro volume da trilogia de grande sucesso entre psicanalistas e estudantes. Freud adiou a escrita de seus artigos sobre técnica por alguns anos, nos quais a experiência clínica lhe permitiu conceber o método e a finalidade da psicanálise. Marco Antonio Coutinho Jorge trata desse período, e situa o ciclo da técnica na sequência dos ciclos do inconsciente e da fantasia, abordados nos dois volumes anteriores. O autor expõe os principais conceitos clínicos freudianos – como transferência, resistência, repetição e elaboração – em toda a densidade que lhes dá a renovação empreendida por Lacan, com sua macro teoria do real-simbólico-imaginário e outros conceitos. Além de leituras teóricas e exemplos de consultório, Coutinho Jorge recorre a elementos tão variados quanto cinema, literatura, mitologia, pintura, filosofia e música pop – dando vida aos pontos cardeais da prática analítica e reforçando a ponte da teoria com o cotidiano. Marco Antonio Coutinho Jorge, psicanalista e médico psiquiatra, é professor associado do Instituto de Psicologia da UERJ, onde ensina no Programa de Pós-Graduação em Psicanálise. Diretor do Corpo Freudiano Seção Rio de Janeiro, é membro da Association Insistance (Paris) e da Sociedade Internacional de História da Psiquiatria e da Psicanálise. É autor, entre outros, de Fundamentos da psicanálise (3 vols.) e de Freud: criador da psicanálise e Lacan: o grande freudiano (ambos com Nadiá Paulo Ferreira), todos publicados por esta editora. Dirige na Zahar a coleção Transmissão da Psicanálise e a série de bolso Passo a Passo/Psicanálise.


Absurdo na literatura

Bartleby, o escrivão (José Olympio Editores) é uma daquelas obras que deixa os leitores sem certezas para definir quem seria o personagem tão peculiar. Ao fazer da voz do patrão, um advogado, o narrador, Herman Melville – autor de Moby Dick, seu livro mais conhecido, e de tantos outros primores – dá campo e distância a um olhar original sobre a história de um funcionário excêntrico e de comportamento talvez depressivo, que, aos poucos, progressivamente, se recusará a cumprir suas obrigações. A situação logo chega ao limite. Não há alternativa senão demiti-lo. Neste momento, o livro tem acentuadas suas cores fantásticas: porque, falhadas todas as tentativas de despedir Bartleby, o advogado então decide mudar-se e deixar o escritório e o escrivão para trás. É quando o tom fantasmagórico controla a trama: o homem aprofunda-se na inércia da negação e se recusa a abandonar a sala e o prédio em que trabalhara – até ser levado preso. A narrativa de Melville – um dos precursores do absurdo na literatura – é tão curta quanto rica e múltipla; leitura para na qual se perder em interpretações. Não à toa, Jorge Luis Borges a definiu como “aplicação deliberada a um tema atroz que parece preconizar um Franz Kafka, o das fantasias do comportamento e sentimento ou, como agora lamentavelmente se diz, psicológicas”. Nascido em 1819, em Nova York, Herman Melville desde jovem sonhou ardentemente em correr mundo. Obrigado a trabalhar por motivo do falecimento do pai, o futuro viajante exerceu vários empregos modestos, até fazer sua primeira viagem, à Inglaterra, quando tinha apenas 15 anos, e em 1841 já se dirigia aos Mares do Sul. Foi capturado pelos selvagens de uma das ilhas daquelas longínquas paragens, de onde conseguiu fugir para o Taiti. A fim de garantir seu sustento ao regressar aos Estados Unidos, aceitou um emprego na Alfândega de Nova York, lá trabalhando de 1866 a 1885. Morreu em 1891 na mesma cidade onde nascera.

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