Quem estuda a obra de Gilberto Freyre, genial escritor pernambu-cano, toma conhecimento de diversas expressões oriundas da cultura negra em nosso país. Não é de se estranhar que palavras tenham sido incorporadas ao nosso vocabulário, em virtude da chegada de 10 milhões de escravos, oriundos da África, que acabaram provocando um reconhecido enriquecimento linguístico. Passaram a ser incorporadas ao nosso cotidiano expressões como Dondos, Totonhas e Toninhas (Antônia), as Tetés (Teresas), os Nezinhos, Mandus e Manes (Manuéis), as Iaiás, os Ioiôs, as Sinhás, as Manus, os Dedés e as Nocas, além das pa-lavras como caçambas, cangas, dengos, mulambos, cafuné e camun-dongo, entre muitas outras. Em Angola, por exemplo, existe a palavra kitanda, para significar o que nós chamamos de quitanda. Acontece que, em virtude dessa diferença de grafia, os angolanos estão custando a aderir ao Acordo Ortográfico, pois se sentem prejudicados pelo que pretendem brasileiros e portugueses. É uma situação difícil de con-tornar, mas dia virá em que isso tudo será sanado, para o bem da unificação da língua de Camões e Machado de Assis.
O Editor.
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